ESCOLA PÓS PANDEMIA: Salas maker

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ESCOLA PÓS PANDEMIA: Salas maker

As habilidades adquiridas na quarentena serão trazidas para a vida e para a escola, a qual terá papel fundamental nesta retomada. As salas maker se tornam uma necessidade neste novo cenário onde os ambientes da escola devem ser repensados de forma a acolher e favorecer o trabalho em grupo, a reflexão e a mão na massa de forma segura e criativa. 

O Covid-19, nos trouxe a quarentena e com ela, entendemos que a cultura do “faça você mesmo” é muito mais do que uma tendência passageira ou uma moda com data de validade.

A cultura do faça você mesmo

Quem não se aventurou numa nova receita, ou aprendeu a costurar, ou iniciou os exercícios de ioga, ou se arriscou pelo artesanato, ou resolveu cortar o cabelo, ou se transformou em jardineiro nesta época de pandemia? Ok, você pode até não ter feito nada disso, mas certamente conhece alguém que fez. 

De repente entendemos que podemos aprender tudo o que quisermos, que temos habilidades que não conhecíamos e que fazer, testar, experimentar, refazer e chegar a um resultado é a melhor forma de aprendizado que podemos ter.

No nosso texto sobre como será a escola no pós coronavírus, que você pode ler clicando aqui, ressaltamos a importância a cultura do fazer para aprender.

E essa cultura “maker” certamente se tornará uma exigência de pais e alunos que buscam por soluções inovadoras dentro desta nova realidade e que privilegiem o protagonismo de quem aprende.

Durante a pandemia temos visto a atitude de pessoas que resolveram ajudar a sociedade com a fabricação de máscaras de proteção em acetato. Um exemplo são os integrantes do grupo “Makers contra a COVID 19” que foram destaque nesta matéria do site Porvir.

Estas iniciativas nos mostram a importância da criatividade, de ensinar as pessoas a pensar e a resolver problemas de forma coletiva. Algumas iniciativas nasceram espontaneamente entre os alunos de algumas instituições de ensino. Ou seja, estimular a autonomia certamente é uma atitude que rende ótimos frutos.

mas, na prática, o que as escolas precisam ter para este ambiente de criação e de solução de problemas?

Uma das respostas que enxergamos: é importantíssimo que os ambientes da escola estimulem e propiciem o trabalho em grupo, o questionamento e a mão na massa.

As salas maker deixam de ser uma ferramenta de marketing e se tornam uma necessidade neste mundo pós pandemia. E a arquitetura escolar pode ajudar muito na criação de ambientes que dialoguem de forma mais eficaz com este novo cenário.

Colocamos aqui alguns conceitos importantes para as salas maker que devem ser considerados pelas escolas:

1. Espaços generosos

É muito difícil criar e estimular a imaginação em espaços apertados que não permitam a livre movimentação de pessoas e a manipulação segura de ferramentas ou outros instrumentos de trabalho.

Nestes ambientes é fundamental pensar num bom distanciamento entre mesas e entre assentos. A circulação deve ser abundante até para que sejam evitados acidentes como trombadas entre pessoas e tropeços em móveis e outros equipamentos, lembre-se: nesta sala os alunos o que os alunos menos querem é ficar sentados.

2. Mobiliário adequado

Espaços de criação exigem móveis que cumpram diversas funções.

Há várias normas que regulamentam o desenho de móveis para salas de aula e nas salas maker isto não é diferente. Para mesas e assentos é importante pesquisar e comprar produtos que sigam estas normas à risca e que ofereçam o máximo de conforto aos estudantes. 

Além disso, a durabilidade é fundamental, os alunos irão cortar, colar, furar, montar e desmontar sobre estas superfícies e os materiais precisam ser bem resistentes.

Também é possível que mesas e assentos mudem de posição com alguma frequência, assim peças com rodízios facilitam bastante esta movimentação e fazem com os alunos tenham mais autonomia.

Por fim as áreas de armazenamento devem ser pensadas para a função que a sala irá cumprir, ou seja, salas de robótica são diferentes de salas para marcenaria ou para culinária. A sala maker até pode abarcar todas estas funções, entretanto para isto deve ter armários pensados para diferentes atividades, bancadas com dimensionamento correto e localização de equipamentos que facilitem seu uso.

3. Conforto

Salas maker precisam de iluminação e ventilação abundantes. É claro que luzes artificiais e aparelhos de ar condicionado auxiliam e resolvem muitos problemas em situações extremas, entretanto num mundo pós-pandemia a preocupação com a saúde em ambientes fechados será maior.

Sendo assim, é imprescindível priorizar e valorizar a luz e a ventilação natural nos ambientes. Em salas em que construímos coisas é importante termos uma iluminação abundante e uma situação térmica que nos deixe confortáveis e relaxados. Inclusive alguns equipamentos (como máquinas de corte a laser) exigem respiros e saídas de ar especiais que pedem um projeto adequado.

Na verdade, o conforto térmico e acústico é uma premissa para qualquer bom projeto de arquitetura, entretanto a escassez de espaços faz com que muitos mantenedores os deixem num segundo plano. 

Vale a pena repensar esses conceitos e entender que uma escola saudável ganhará muitos pontos com pais e alunos, além de ajudar na manutenção da saúde da sociedade como um todo.

4. Identidade

A sala maker deve estar embasada no projeto pedagógico desenvolvido pela escola e a arquitetura do espaço deve seguir isso. É importante que alunos e professores se identifiquem com aquele espaço e que ele seja único, com a “cara” da instituição.

Adotar a solução do concorrente só porque “deu certo” pode ser um tiro no pé. 

As cores, a comunicação visual, toda a estética do lugar deve transmitir o conceito que a escola adotou. Existem escolas que até criam um nome exclusivo para estes lugares, muitas vezes elaborado e escolhido pelos próprios alunos. 

A sala maker deve ser um espaço de descoberta, de discussão e troca. Baseado nisso cada instituição terá resultados e experiências diferentes com seus estudantes, assim a arquitetura também deve ser pessoal e especial.

5. Criatividade

Certamente os novos problemas que têm surgido não serão resolvidos com as soluções que hoje nos são dadas.

A descoberta de novas respostas parte da capacidade de imaginar e criar diferentes cenários e deles extrair o que há de melhor. E a educação dada hoje é a principal ferramenta para um futuro

A sala maker tem o papel de estimular crianças e jovens na criação de novas soluções, novos questionamentos e novas perspectivas de mundo. Portanto, para que isso seja possível a criatividade tem que estar presente de forma real no espaço.

Paredes podem se transformar em murais de ideias ou planos de escrita colaborativa e mesas podem funcionar como cadernos de anotações. Que tal um palco para apresentação dos resultados dos alunos e, porque não, de discussões rápidas em grupo?

Estas são apenas algumas ideias que podem transformar qualquer ambiente num espaço estimulador de novos pensamentos, criações e novas soluções.

Como sempre dizemos aqui qualquer inovação ou mudança feita dentro de uma escola deve estar no DNA de sua proposta pedagógica. Com as salas maker isto não é diferente. 

Um projeto de arquitetura incrível para estas salas, assim como os maravilhosos resultados que pode sair delas, só acontecerão se a escola souber o porquê de criar este espaço.

O COVID-19 nos mostrou o protagonismo do aprender fazendo e trazer isto para dentro da escola é, sim, uma urgência. Entretanto, uma sala maker não pode ser criada a partir de um fazer vazio de propósito. 

Se a criatividade, a colaboração e a imaginação estão na essência da sua escola, conte conosco para a construção de espaços que valorizem tudo isso.

 

Ateliê Urbano
atelieurbano@atelieurbano.com.br

Unir criatividade, técnica e inovação em seus projetos é o sonho de todo arquiteto, e quando o Ateliê Urbano nasceu em 2003 era esse o nosso objetivo. Hoje nos sentimos realizadas em ver que nosso trabalho nos fez conseguir algo ainda maior do que o objetivo inicial. Hoje realizamos sonhos.

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